Documento do Grêmio condena fala de Renato Gaúcho sobre Bolsonaro; veja

Documento do Grêmio condena fala de Renato Gaúcho sobre Bolsonaro; veja

Em 11 de outubro, o treinador de 64 anos saiu em defesa do auxiliar Alexandre Mendes, preso preventivamente em Porto Alegre no último dia 8 por suposto descumprimento de uma medida protetiva solicitada pela ex-companheira – ele foi liberado na noite seguinte, em decisão judicial. Renato disse que o colega não deveria ser condenado antes da conclusão da investigação e disparou: “Eu não deveria falar isso, mas é por isso que sou Bolsonaro”.

Após a declaração, levantou-se e deixou a sala de entrevistas coletivas da Arena. Mais cedo naquele dia, Grêmio e Internacional haviam empatado por 1 a 1, pela 30ª rodada do Campeonato Brasileiro.

O treinador não explicou a declaração, que rapidamente se tornou um dos assuntos esportivos mais comentados do país. Não ficou claro se o apoio era ao ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de estado e outros crimes, ao senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, ou ao bolsonarismo como um todo.

Questionado na mesma noite sobre o episódio, o presidente gremista, Odorico Roman, se absteve: “Eu, como presidente do Grêmio, não vou tecer manifestações de cunho político porque eu não posso. Eu represento uma nação de torcedores de várias matizes, de vários pensamentos políticos, e eu vou me eximir de me manifestar nesse sentido”.

Renato Gaúcho durante entrevista coletiva pelo Grêmio - (foto: Lucas Uebel/Grêmio)
Renato Gaúcho durante entrevista coletiva pelo Grêmio. Foto: Lucas Uebel/Grêmio(foto: Lucas Uebel/Grêmio)

A cartilha do Grêmio

O Estatuto Social e o Código de Ética do Grêmio pregam a neutralidade política. Este ano, o clube resumiu as normas em um documento intitulado “Cartilha de Conduta Eleições 2026”, endereçada “aos colaboradores do Grêmio FBPA e assessores especiais da presidência”. Na imagem, constam sete pontos:

1. NEUTRALIDADE INSTITUCIONAL

  • O Grêmio é uma instituição esportiva e não participa de campanhas políticas.
  • Funcionários devem separar sua vida política pessoal das atividades profissionais.
  • É proibido usar a marca, uniforme, símbolos ou patrimônio do Clube em atos eleitorais.

2. USO DA IMAGEM DO CLUBE

  • Não utilize o escudo, bandeiras, camisas oficiais, instalações ou veículos do Grêmio em manifestações políticas.
  • Evite fotos ou vídeos em ambientes do Clube que possam ser associados a campanhas eleitorais.
  • A imagem do Grêmio deve ser preservada e usada apenas para fins esportivos e institucionais.

3. CONDUTA PESSOAL EM PERÍODO ELEITORAL

  • Funcionários têm liberdade de opinião, mas devem agir com respeito e responsabilidade.
  • É vedado:
    • Distribuir material político dentro das dependências do Clube.
    • Usar recursos do Grêmio (COMPUTADORES, E-MAILS, REDES SOCIAIS INSTITUCIONAIS) para fins eleitorais.
    • Promover candidatos em eventos, treinos ou jogos.

4. RELACIONAMENTO COM TORCEDORES E PÚBLICO

  • Mantenha postura neutra e cordial ao tratar de política com torcedores.
  • Evite discussões partidárias em ambientes ligados ao Grêmio.
  • Lembre-se: você representa o Clube e deve transmitir respeito e imparcialidade.

5. TRANSPARÊNCIA E INTEGRIDADE

  • Caso receba convite ou proposta que envolva política usando o nome do Grêmio, recuse imediatamente.
  • Reporte situações de possível conflito de interesses ao Comitê de Integridade.
  • O compromisso é com a ética, legalidade e fair play, dentro e fora dos gramados.

6. CONSEQUÊNCIAS

  • O descumprimento destas regras pode gerar advertência, suspensão ou desligamento, conforme o Código de Ética.
  • A prática de atos políticos com uso da marca ou patrimônio do Grêmio pode ser considerada falta grave.

7. EM RESUMO

  • O GRÊMIO É FUTEBOL, PAIXÃO E ÉTICA.
  • POLÍTICA É ESCOLHA PESSOAL, NUNCA INSTITUCIONAL.
  • PRESERVE A IMAGEM DO CLUBE: NÃO MISTURE GRÊMIO COM ELEIÇÕES.
Cartilha entregue pelo Grêmio aos funcionários
Cartilha entregue pelo Grêmio aos funcionários

Como o Grêmio lidou com o caso de Renato?

Ídolo histórico do Grêmio, Renato Gaúcho não ficou sujeito às penalidades mais graves previstas na cartilha. O comandante, que tenta afastar o clube da zona de rebaixamento do Brasileirão, foi chamado para uma conversa com a diretoria. No encontro, ouviu orientações para evitar posicionamentos políticos em ambientes ligados ao clube.

A notícia Documento do Grêmio condena fala de Renato Gaúcho sobre Bolsonaro; veja foi publicada primeiro no No Ataque por João Vítor Marques

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