Representante do Cruzeiro argumenta em audiência pública sobre veto a bets
Folha de pagamento
O advogado iniciou o discurso dizendo que o Cruzeiro foi “sobejamente (excessivamente) afetado pelos efeitos da MP” em termos financeiros. Ele detalhou que o contrato de patrocínio estabelecido pelo clube celeste com a Betnacional era responsável por ‘quatro ou cinco folhas de pagamento’.
“No caso do Cruzeiro, um clube que fez um trabalho de recuperação excecional ao longo dos últimos anos, saiu de situações dificílimas seja do ponto de vista financeiro ou esportivo a partir da constituição da SAF. Hoje, o Cruzeiro está recuperado, disputando as grandes competições, e o contrato de patrocínio feito com a maior empresa de apostas do mundo era responsável por algo como quatro ou cinco folhas de pagamento dos atletas e dos funcionários”, alegou.
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Mercado ilegal
José Francisco Cimino Manssur expôs os argumentos que fazem a Raposa ser contrária à proibição. A começar pelo mercado ilegal – fomentado pelo veto, de acordo com o advogado.
“O mercado ilegal contribui com o crime organizado. Por isso, ministro, acredito piamente que a saída e a solução para os graves problemas causados de vício em jogo e superendividamento está em regulamentar e fiscalizar, não em proibir. Acredito que a proibição seja ineficaz”, disse.
Fomento ao futebol feminino
A equipe feminina do clube também foi mencionada. José Francisco Cimino Manssur declarou que o incentivo financeiro às Cabulosas está diretamente relacionado com o contrato de patrocínio.
“Mais importante: o Cruzeiro, no último domingo, se sagrou campeão da Libertadores Feminina. Faz um trabalho de fomento do futebol feminino que é algo muito importante e que necessita prioritariamente das receitas advindas do patrocínio das empresas de aposta, que vão ser perdidas pela impossibilidade de cumprimento do contrato a partir da Medida Provisória 1.394”, seguiu.
Em 2025, ano em que a Raposa chegou à final do Campeonato Brasileiro pela primeira vez e conquistou o quarto título do Campeonato Mineiro, a Gerdau – empresa brasileira produtora de aço – era a patrocinadora master.
No fim daquela temporada, quando o clube ampliou o vínculo com a Betnacional, a imprensa noticiou o surgimento de imbróglios em relação ao investimento nas Cabulosas para 2026 – a diretoria geral queria manter o investimento, enquanto o departamento de futebol feminino via a necessidade de aumento mesmo que mínimo para cumprir as valorizações salariais previstas em contrato e segurar atletas titulares.
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Perda de empregos e manipulação de resultados
Na sequência, o representante cruzeirense disse que a estimativa é que mais de 15 mil pessoas sejam demitidas em função do veto às bets. Sem apresentar números, afirmou que houve uma ‘explosão dos casos de manipulação de resultados’.
“Quais são as consequências práticas da Medida Provisória até aqui? Um crescimento de milhares de sites ilegais, a perda de quase sete mil empregos, estimando-se que quase 15 mil pessoas perderão emprego, uma explosão dos casos de manipulação de resultados diante da nossa impossibilidade de controlar o mercado ilegal e a perda dos patrocínios”, argumentou.
‘Apropriação do dinheiro’
José Francisco Cimino Manssur afirmou que o Governo Federal arrecadou bilhões com casas de apostas, impediu a continuidade das atividades e “se apropriou” do dinheiro.
“Com que direito o Governo convida 87 entidades a pagarem 30 milhões cada, arrecada 3 bilhões para que elas explorem uma atividade por cinco anos e, no final de um ano e nove meses, se apropria do dinheiro e impede a continuidade da atividade. Nem sequer trabalhou num modelo jurídico para devolver a quem pagou 30 milhões. Vai se apropriar do dinheiro das empresas? E esse dinheiro afeta diretamente a atividade esportiva. Isso é muito grave”, disse.
Desequilíbrio na América do Sul
O último ponto foi um suposto desequilíbrio entre o futebol brasileiro e o sul-americano em geral – isso porque outros países do continente permitem a atuação de casas de apostas.
“O que significa que a MP ainda vai gerar enorme desequilíbrio entre futebol brasileiro e equipes sul-americanas. Especialmente entre nossos clubes e clubes dos rivais. Eles vão poder contar com patrocínio das empresas de aposta. E o Cruzeiro, graças ao brilhante trabalho que tem feito ao longo dos últimos anos, certamente estará classificado para uma competição internacional, enfrentará equipes argentinas, uruguaias, colombianas que poderão ter patrocínio de apostas. Enquanto nossa equipe não, e a redução de valores já foi explicada. Essa é a grande falta de equilíbrio presente na MP”, finalizou.
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