Cruzeiro dá fim a escrita incômoda e conquista primeiro título internacional
Desde 2019, ano da fundação da equipe feminina, a Raposa havia enfrentado o Timão 16 vezes. Eram 12 vitórias da equipe paulista, duas do time mineiro e dois empates. Em um recorte que continha apenas jogos de mata-mata, o Cruzeiro não conhecia o gosto do triunfo nem da classificação.
Nas quartas de final do Campeonato Brasileiro de 2023, duas derrotas – 2 a 1 e 4 a 2. Na final da Supercopa de 2024, novo tropeço por 1 a 0. Na semifinal da Supercopa de 2025, o placar mínimo se repetiu. Naquele mesmo ano, os times voltariam a se enfrentar em outros dois torneios: na terceira fase da Copa do Brasil, o Cruzeiro conseguiu empate por 1 a 1, mas não resistiu aos pênaltis; na decisão do Brasileiro, igualdade por 2 a 2 seguida de derrota por 1 a 0.
Não pararia por ali, já que os encontros entre Cruzeiro e Corinthians se tornaram cada vez mais comuns. Nas quartas de final do Brasileiro de 2026, novo encontro, mesmo desfecho. Em ambas as partidas, vitória do Timão – 1 a 0 e 3 a 1.
Nesta edição da Libertadores, indícios de que o final da história, enfim, seria diferente. As Cabulosas se fecharam e deram real sentido à palavra ‘união’. Deixaram para trás e superaram os momentos de inconsistência no Campeonato Brasileiro (eliminação nas quartas) e na Copa do Brasil (eliminação nas oitavas). Basta testemunhar as atuações, as declarações e os conteúdos midiáticos.
Antes mesmo de as Cabulosas embarcarem para Quito, o clima já era diferente. A desconfiança da torcida havia dado pleno espaço à confiança. Resultado do trabalho? Cinco vitórias, um empate e o primeiro grande título da história do Cruzeiro, logo em cima da equipe que se tornou a maior rival no cenário nacional. O Cruzeiro ficou na igualdade com o Corinthians, é fato, mas conseguiu levar a melhor nos pênaltis, o que nunca havia ocorrido anteriormente.
Cruzeiro x Corinthians: resumo da partida
Quiseram as deusas do futebol que o roteiro da finalíssima fosse dramático. O Cruzeiro entrou em campo apático e sofreu muito defensivamente. Não à toa, levou dois gols – ambos da atacante Gabi Zanotti, aos 3′ e aos 42′. Àquela altura, a equipe dava indícios de nervosismo.
Apesar de ter sido novamente vazada aos três minutos do segundo tempo, com gol da meio-campista Vic Albuquerque, não desistiu. O semblante de cada integrante da delegação celeste exibia confiança.
A Raposa se lançou ao ataque e entregou tudo que podia. Sobrou gana e resiliência. A atacante Byanca Brasil e a zagueira Vitória Calhau descontaram aos 7′ e aos 13′. Vic Albuquerque deu respiro ao Corinthians novamente aos 22′, mas o Cruzeiro não baixou o ritmo. A lateral-direita Ketlin fez o terceiro aos 29′, e a atacante Lelê deixou tudo igual nos acréscimos, aos 47′.
Pênaltis em Quito. Quando a árbitra Dione Rissios assinalou o fim da partida, a confiança migrou de campo. O clima nas reuniões que sucederam as cobranças eram completamente diferentes. As expressões e a leveza da delegação celeste indicavam que a glória eterna estava por vir.
Vaga na Copa das Campeãs e na Copa do Mundo de Clubes
O título da Libertadores carimbou o passaporte do Cruzeiro. Entre 26 e 31 de janeiro de 2027, em Miami, nos Estados Unidos, as Cabulosas jogarão a Copa das Campeãs – competição intercontinental. O primeiro compromisso é diante do Barcelona, atual campeão da Champions League, pela semifinal. Além disso, em 2028, o clube mineiro disputará a Copa do Mundo de Clubes.
Quando o Cruzeiro volta a campo?
O Cruzeiro ainda não detalhou a programação para os próximos dias. No retorno a Belo Horizonte, voltará o foco para o Campeonato Mineiro. No próximo sábado (7/11), as Cabulosas disputam a ida da semifinal do Estadual, com o América, a partir das 15h, na Arena Frimisa, em Santa Luzia.
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