Protagonista do Cruzeiro na Libertadores revela drama: ‘Disseram que eu tinha perdido o ano’
Em agosto, Lelê caiu durante treinamento na Toca da Raposa 1, em Belo Horizonte, e teve diagnosticada uma lesão na articulação acromio-clavicular do ombro direito. Posteriormente, passou por cirurgia. Em entrevista ao No Ataque, a atacante contou que ali recebeu a temida notícia: não teria condições de disputar a Libertadores, que começaria em meados de outubro.
Para o bem do clube, as previsões não foram precisas. Em partes. Lelê de fato não se recuperou completamente, mas se colocou à disposição da comissão técnica para ajudar o Cruzeiro a fazer história. Sob o uso de remédio e pomada anestésica, a atacante participou de quatro dos seis compromissos da Raposa na competição continental. Na grande decisão, marcou o quarto tento, converteu um dos pênaltis (vitória por 5 a 4) e ergueu a taça;
“Desde que me lesionei, disseram para mim que eu não iria mais para a Libertadores, que eu tinha perdido o ano. Mas a gente conseguiu fazer um trabalho muito intenso. Eu fui para a Libertadores não 100%. Joguei com dor em todos os jogos. Agora é me recuperar 100%”
Letícia Ferreira, atacante do Cruzeiro, ao No Ataque
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Gol engasgado?
O contexto da entrada de Lelê na partida era como um déjà vu. Em 2025, na volta da final do Campeonato Brasileiro, contra o mesmo Corinthians, a atacante foi acionada pelo técnico Jonas Urias na etapa complementar, quando o Cruzeiro perdia por 1 a 0. Aos 51 minutos do segundo tempo, ela teve a chance de empatar, mas perdeu a oportunidade. Um gol que estava ‘engasgado’.
“Muito (engasgado). Eu me lamentei muito no ano passado quando perdi aquele gol. Mas acho que as coisas acontecem no tempo que tem que acontecer. Eu estava muito concentrada, já tinha visualizado meu gol. No jogo, acabo perdendo uma chance debaixo da trave, mas me concentrei e fui muito feliz em ajudar o Cruzeiro”
Letícia Ferreira, atacante do Cruzeiro, ao No Ataque
A chance mencionada por Lelê ocorreu aos 30 minutos do segundo tempo. Livre e com o gol aberto, a centroavante ficou com uma sobra e tentou empurrar a bola para a meta com um carrinho. Contudo, desviou a trajetória. Aos 33 minutos, a camisa 9 assustou mais uma vez: girou para cima da marcação, chutou forte de fora da área e tirou tinta do travessão. A verdade é que o tento estava sendo amadurecido.
O Cruzeiro não deixou de acreditar que seria capaz de conquistar a taça da Libertadores mesmo quando perdia por 3 a 0. Estava escrito no semblante de cada integrante da delegação.
“Nosso time sempre foi muito unido, mas tivemos ano muito difícil. Consequentemente, mexe com a cabeça de todo mundo. Nossa força foi nossa conexão e nossa resiliência. A gente acreditava no título desde quando saiu daqui (Belo Horizonte). Trabalhou muito forte, conseguiu virar a chave. Ali, quando faço o gol, foi um misto de sentimentos, nem sabia comemorar e fui muito feliz no momento”, continuou.
O tento de empate, segundo Lelê, era um indício de que a conquista estava próxima. Afinal, o time que corre atrás do placar e consegue levar para os pênaltis entra para as cobranças muito mais motivado.
“Falei (vai dar) com certeza. Na hora que a gente fecha para ir para os pênaltis, eu estava muito confiante. A gente treinou pênalti em praticamente todos os treinos lá. Não que a gente estava buscando penalidades, mas tem que estar preparado em todos os sentidos”
Letícia Ferreira, atacante do Cruzeiro
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