Cruzeiro supera jogo truncado, vence Olimpia e vai à final da Libertadores de forma inédita
Diferentemente do que havia feito quando encontrou o Cruzeiro na fase de grupos, o Olimpia se mostrou mais disposto a explorar descidas em velocidade. Ligou o alerta na defesa celeste e ameaçou a meta defendida por Camila apenas nos acréscimos. Ao mesmo tempo, a equipe paraguaia parecia dedicada em travar a partida com faltas e reclamações – não à toa, teve uma jogadora expulsa na etapa complementar.
Morno no primeiro tempo, o Cruzeiro teve dificuldades em furar o sistema defensivo – criou apenas uma grande chance, aos 27 minutos, em cabeceio da atacante Byanca Brasil. Feitos alguns ajustes, as Cabulosas repetiram o que havia ocorrido nos últimos quatro jogos: inaugurar o marcador no segundo tempo.
Mais incisivo, o Cruzeiro balançou a rede aos 4 minutos. Da entrada da grande área, Byanca Brasil carimbou o travessão em cobrança de falta. Oportunista, a atacante Marília saiu na frente da marcação, aproveitou o rebote e mandou para a meta do jeito que dava. Desesperado para buscar o empate, o Olimpia apelou para o grito e, quando não tinha a bola, não poupou faltas. A Raposa viveu minutos de tensão ao não controlar a posse, testemunhou defesa salvadora de Camila nos acréscimos e celebrou o som do apito final.
O clube estrelado já havia derrotado o Olimpia na fase de grupos (3 a 0). Na mesma etapa, também venceu LDU-EQU (2 a 1) e Bolívar-BOL (3 a 0). Nas quartas, o Cruzeiro havia despachado o Libertad (3 a 0). O principal desafia espera as Cabulosas. Neste sábado (31/10), as comandadas de Jonas Urias brigarão pela desejada taça com o Corinthians, que passou pelo Santa Fe-COL, no Estádio Rodrigo Paz Delgado, em horário ainda não confirmado pela Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol).
Cruzeiro x Olimpia
Primeiro tempo de pouca inspiração
O técnico Jonas Urias promoveu apenas uma mudança na escalação em relação ao duelo das quartas de final: Letícia Alves na vaga de Ketlin – uma lateral-direita por outra. No campo, armou a equipe inicialmente em um 4-3-3.
Os primeiros minutos causaram a impressão de um Cruzeiro impositivo diante de um Olimpia que se concentrava mais no sistema defensivo. Mas, pouco a pouco, ficava clara uma movimentação diferente daquela observada no primeiro encontro entre as equipes, ainda na fase de grupos: o clube paraguaio mostrava mais disposição para trocar passes e explorar descidas em velocidades – de qualquer forma, não exigiu nenhuma aparição da arqueira Camila.
Nesse período, uma Raposa morna. Parecia esperar o momento ideal para dar o golpe e pecava em se aproximar da área e dar passes certeiros. Quando o grupo se deu conta do cenário, tentou arriscar mais. Aos 21 minutos, a primeira grande chegada. Começou com a zagueira Vitória Calhau, que em passe longo desmontou a defesa adversária e encontrou Gaby Rodríguez. A meia-atacante levantou a cabeça e buscou Byanca Brasil na grande área. Livre, a atacante viu o cabeceio passar rente à trave direita.
A medida que o relógio passava, ares de nervosismo. O confronto se tornava mais pegado e truncado e pouco competitivo – as jogadoras do Olimpia, por exemplo, incendiavam os duelos físicos e não poupavam nas reclamações. Os três cartões amarelos exibidos pela árbitra Anahi Fernandez corroboram. No primeiro tempo, Camila não trabalhou, é verdade. Mas o Cruzeiro pouco fez para levar perigo à meta rival e desceu para o intervalo com o zero no placar e apenas uma grande oportunidade criada.
Segundo tempo
Coincidência ou não, nos quatro jogos anteriores na Libertadores, o Cruzeiro balançou a rede apenas no segundo tempo. Havia indícios de que dessa vez não seria diferente. A equipe celeste intensificou o ritmo e encontrou a oportunidade perfeita – falta na entrada da área é praticamente sinônimo de gol quando Byanca Brasil se posiciona para cobrar.
Aconteceu o esperado. Logo aos 3 minutos, a atacante Vanessinha sofreu falta na intermediária ao tentar exercer a função de pivô. Na cobrança, Byanca Brasil acertou o travessão. No rebote, a oportunista atacante Marília saiu na frente da marcação e empurrou para o gol da maneira que deu: 1 a 0.
Desesperado para buscar o empate, o Olimpia apelou para as reclamações e, quando não tinha a bola, não poupava faltas. Nessa estratégia, tornou o jogo nervoso, causou amarelos, recebeu amarelos e teve uma jogadora expulsa – a atacante Pamela Villalba, aos 27 minutos.
Na reta final, o Cruzeiro foi mais envolvido pelo Olimpia e teve dificuldades de segurar a bola para controlar o ritmo. Viveu minutos de tensão por isso. Nos acréscimos, Camila, que mal tinha encostado na bola, salvou a Raposa e evitou tento de empate. Depois de sofrer, as Cabulosas sacramentaram a vaga na grande final da Libertadores logo na primeira participação do clube.
CRUZEIRO X OLIMPIA
Cruzeiro
Camila; Letícia Alves (Ketlin, aos 39′ do 2ºT), Capelinha, Vitória Calhau (Isadora, aos 39′ do 2T) e Gisseli; Bedoya e Ana Flávia (Rafa Levis, aos 6′ do 2ºT); Vanessinha (Letícia Ferreira, aos 26′ do 2ºT), Byanca Brasil e Gaby Rodríguez (Mari Andrade, aos 26′ do 2ºT); e Marília. Técnico: Jonas Urias.
Olimpia
Luana Rodriguez; Nairelis Gutiérrez (Mussi, aos 33′ do 2ºT), Maria Segovia, Tania Riso e Fiorela Martínez; Danna Garcete, Griselda Garay e Mariana Pion Nuñez (Mikaela Valdez, aos 11′ do 2ºT); Erika Cartaman (Casco, aos 33′ do 2ºT), Pamela Villalba e Milagros Ortiz. Técnico: Diomedes Garcia Urán.
- Motivo: semifinal da Copa Libertadores
- Local: Estádio Rodrigo Paz Delgado, em Quito, no Equador
- Gols:
- Árbitro: Anahi Fernandez-URU
- Assistentes: Daiana Fernandez-URU e Adela Sanchez-URU
- VAR: Nadia Fuques-URU
- Cartões amarelos: Ana Flávia, aos 9′ do 2ºT (CRU); Milagros Ortiz (OLI); Vanessinha, aos 33′ do 1ºT (CRU); Mariana Pion Nuñez, aos 6′ do 2ºT (CRU); Pamela Villalba, aos 13′ e aos 27′ do 2ºT (OLI); Griselda Garay, aos 13′ do 2ºT (OLI); Letícia Alves, aos 25′ do 2ºT (CRU); Vitória Calhau, aos 31′ do 2]T (CRU)
- Cartão vermelho: Pamela Villalba, aos 27′ do 2ºT (OLI)
- Público: não informado
- Renda: não informado
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