‘Ninguém morre nos devendo’: Rio de Janeiro respira confiança antes de Flamengo x Cruzeiro
Ainda nem havia amanhecido direito. O Rio dormia, mas o futebol já estava acordado. Em meio a uma “provocação” matinal, a pergunta do motorista dava a tônica do que seria esta terça-feira (18/8) para a reportagem do No Ataque.
O Flamengo recebe o Cruzeiro nesta quarta-feira (19/8), às 21h30, no Maracanã, pela volta das oitavas de final da Copa Libertadores. Depois do empate por 1 a 1 no Mineirão, basta uma vitória para qualquer um dos dois lados avançar. Se houver nova igualdade, a vaga será decidida nos pênaltis.
No Rio, porém, o empate da semana passada parece ter sido quase um detalhe.Com o sol chegando, chegaram também as camisas rubro-negras.
Desci para a Praia do Flamengo na esperança de encontrar a cidade vestida para a decisão, e encontrei. Entre partidas de altinha, caminhadas, corridas e passeios com os pets, o vermelho e o preto apareciam aos poucos. E, quando o assunto era o jogo do Maracanã, o discurso era praticamente uníssono entre os Rubro-Negros: o Flamengo vai passar.
Talvez a goleada por 5 a 1 sobre o Mirassol, pelo Campeonato Brasileiro, tenha ajudado a alimentar a confiança. Talvez seja a constelação de jogadores à disposição de Filipe Luís. Talvez seja o fato de o Flamengo ter sobrevivido ao primeiro jogo sem sair derrotado do Mineirão.
Fachada da Gávea, no Rio de Janeiro(foto: Vitor de Araújo/No Ataque)
Confiança virou mantra rubro-negro
Quanto mais eu me aproximava da Gávea, mais a confiança deixava de ser apenas uma impressão e ganhava forma de certeza. Na sede do Flamengo, a frase se repetia como um mantra: ‘Ninguém morre nos devendo.‘
Perguntei a flamenguistas sobre a expressão e, inevitavelmente, o assunto desembocou em 2018. Naquele ano, o Cruzeiro eliminou o Flamengo nas oitavas de final da Libertadores. Venceu por 2 a 0 no Maracanã e, mesmo derrotado por 1 a 0 no Mineirão, avançou às quartas.
Oito anos depois, o Rio parece enxergar a possibilidade de uma cobrança, como em uma espécie de convicção de que a história precisa ser corrigida. Juliana, torcedora do Flamengo, resumiu a confiança:
“O Flamengo tem total capacidade de cobrar essa dívida, pois é o melhor time. Ninguém morre devendo o Flamengo.”
Gilsa, torcedora do Flamengo, na sede do clube, na Gávea(foto: Vitor de Araújo/No Ataque)
‘Vai acontecer vingança de novo’
Fábio foi além. Para ele, a própria história recente do Flamengo alimenta a crença de que o clube sabe transformar derrotas antigas em combustível.
“Sempre que dizemos isso, o torcedor do Flamengo pode ficar otimista. Vai acontecer vingança de novo.”
A referência é à Libertadores de 2025. Antes daquela ocasião, o Flamengo perdeu a final da Libertadores de 2021 para o Palmeiras. Quatro anos depois, reencontrou o rival em uma decisão continental e venceu. Para o torcedor, portanto, existe um precedente recente de uma espécie de revanche.
A lógica é simples: o Flamengo perdeu quando não poderia perder e, anos depois, teve a oportunidade de devolver. Agora, a oportunidade seria contra o Cruzeiro, oito anos depois de uma eliminação nas oitavas de final da Libertadores.
Fábio, torcedor do Flamengo, na sede do clube, na Gávea(foto: Vitor de Araújo/No Ataque)
‘Chegou a hora’
A cada conversa, a mesma sensação se repetia: chegou a hora. Não necessariamente a hora do jogo, que será apenas na noite seguinte.
Para os flamenguistas com quem conversei, no entanto, não importava: a hora já havia chegado. Arielson foi direto:
“Chegou a hora. Ninguém morre nos devendo. Amanhã é guerra.”
Arielson, torcedor do Flamengo, na sede do clube, na Gávea(foto: Vitor de Araújo/No Ataque)
Desde o apito final do empate por 1 a 1 no Mineirão, em 12 de agosto, Belo Horizonte e Rio de Janeiro respiram uma decisão que está prestes a acontecer.
Em Belo Horizonte, a torcida celeste saiu do estádio sabendo que teria de se desdobrar para triunfar no Maracanã. No Rio, a torcida rubro-negra deixou o Mineirão com a sensação de que a classificação havia sido adiada por uma semana, em um misto de confiança e soberba, talvez motivada pela imponente estátua de Zico na Gávea.
Estátua de Zico na Gávea(foto: Vitor de Araújo/No Ataque)
A hora que chega a todo instante ao longo de um dia
Na manhã desta terça-feira (12/8), quando o sol começava a iluminar a Cidade Maravilhosa, essa sensação já estava espalhada pela cidade.
Às 5h35, dentro de um carro de aplicativo, um carioca já queria saber se o mineiro tinha vindo ao Rio para ver o Cruzeiro perder.
Na Gávea, quase sete horas depois, Arielson já tinha a resposta que, para ele, só será oficializada quando a bola rolar: a de que ninguém morre devendo o Flamengo.
Nesta quarta-feira (19/8),às 21h30, quando a bola rolar no Maracanã chegará oficialmente a hora que, para Arielson chegou ainda antes do meio-dia da véspera. E que, para aquele motorista que me transportou, talvez tenha chegado às 5h35 da manhã.
Que Cruzeiro e Flamengo deem espetáculo. As cidades e os torcedores agradecem. Como agradeceram Alex em 2003, Elias em 2013, Thiago Neves em 2017 e seguirão agradecendo os protagonistas do jogo de amanhã.
Pinturas de Adílio e Júlio César, ídolos do Flamengo(foto: Vitor de Araújo/No Ataque)
Cruzeiro x Flamengo na Libertadores
Cruzeiro e Flamengo se enfrentam nesta quarta-feira (19/8), às 21h30, no Maracanã, pelo jogo de volta das oitavas de final da Copa Libertadores.
Na partida de ida, os times empataram por 1 a 1 no Mineirão, com gols de Arroyo e Lucas Paquetá.
A equipe que vencer o duelo no Rio de Janeiro avançará às quartas de final. Em caso de novo empate, a vaga será decidida nos pênaltis.
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