Rogério Ceni analisa derrota do Bahia e elege pontos fortes do Cruzeiro: ‘Difícil de marcar’

Rogério Ceni analisa derrota do Bahia e elege pontos fortes do Cruzeiro: ‘Difícil de marcar’

O Tricolor de Aço abriu o placar com Kike Olivera, que aplicou uma caneta em Zé Lucas e superou o goleiro Otávio com um chute sem ângulo. A Raposa empatou ainda no primeiro tempo com Kaio Jorge — que também desperdiçou uma penalidade máxima quando o placar apontava 1 a 1 — e virou na etapa final em cabeceio no estilo “peixinho” de Bruno Rodrigues e em novo arremate de Kaio Jorge. Nos acréscimos, Alejo Véliz diminuiu para os visitantes.

Situação na tabela e chances de Libertadores

Apesar do resultado negativo em Belo Horizonte, o Bahia permanece em sexto lugar no Campeonato Brasileiro, com 53 pontos, firme na briga por uma vaga na Copa Libertadores de 2027.

De acordo com o levantamento do Departamento de Matemática da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o Tricolor de Aço registra 45,6% de probabilidade de garantir classificação para o torneio continental. A equipe baiana tenta assegurar presença na fase de grupos da competição nas quatro rodadas finais da Série A.

Elogios à velocidade e à transição celeste

Em entrevista ao jornalista Samuel Venâncio, da Samuca TV, Ceni destacou a capacidade do Cruzeiro em atacar os espaços e a força no confronto individual. Diante dos desfalques do lateral William e do meia Matheus Pereira, suspensos pelo terceiro cartão amarelo, o técnico celeste Artur Jorge escalou Fagner na defesa e deu liberdade para Bruno Rodrigues flutuar no setor ofensivo, deixando a armação das jogadas a cargo de Gerson.

“Sou sempre favorável a mais gols. Logicamente, gostaria que o 4 fosse para nós e o 3 para o adversário. Mas o jogo foi bem disputado. Nos 30 primeiros minutos, o Bahia esteve muito bem. Depois do gol, nós nos retraímos um pouco e deixamos o Cruzeiro crescer. O Cruzeiro é uma equipe que ataca muito o espaço, muito boa no um contra um. Quando descuidamos um pouquinho, fizeram o segundo gol.”

“Hoje, jogaram com um trio ofensivo muito rápido, com o Gerson fazendo a função do Matheus. É um time que tem muita qualidade, muita velocidade e transição. Difícil de marcar e de enfrentar. Um time maduro, com a defesa muito bem. Foram dois bons jogos contra o Cruzeiro na temporada, pena que eles saíram vencedores nas duas partidas.”

Relembrando 2019 e crítica à antiga gestão

A passagem de Rogério Ceni pelo Cruzeiro durou cerca de um mês e meio durante o Campeonato Brasileiro de 2019, período em que acumulou duas vitórias, dois empates e quatro derrotas. O trabalho ficou marcado pela tentativa de reformulação com a promoção de jovens atletas como Maurício, Cacá, Éderson e Fabrício Bruno, além de atritos com lideranças experientes do elenco.

No fim das contas, a Raposa teve Abel Braga e, posteriormente, Adilson Batista na reta final do Brasileirão. O time caiu para a Série B ao somar 36 pontos em 38 rodadas (sete vitórias, 15 empates e 16 derrotas).

Ao recordar a passagem pela Toca da Raposa 2, o treinador lamentou o rebaixamento ocorrido naquele ano e direcionou críticas indiretas à diretoria da época, então chefiada pelo presidente Wagner Pires de Sá e pelo vice-presidente de futebol Itair Machado.

“Tenho um respeito muito grande pelo clube. Lamento muito a queda em 2019. Fiz o meu melhor para estar aqui, sempre com respeito pela instituição. Estou no Bahia há três anos, um lugar fantástico de se trabalhar, com gente do melhor nível. Talvez foi o que faltou à direção do Cruzeiro naquela época: gente de bom nível.”

Perfil vitorioso e continuidade nos trabalhos

A trajetória pelo Cruzeiro acabou sendo uma exceção na carreira de Rogério Ceni à beira do gramado, marcada pela longevidade nos projetos. O comandante já ultrapassa a marca de 200 partidas pelo Bahia e soma conquistas expressivas como treinador:

  • Fortaleza: Série B (2018), Campeonato Cearense (2019 e 2020) e Copa do Nordeste (2019).
  • Flamengo: Campeonato Brasileiro (2020), Supercopa do Brasil (2021) e Campeonato Carioca (2021).
  • Bahia: Campeonato Baiano (2025 e 2026) e Copa do Nordeste (2025).

A valorização da continuidade remete à sua história como atleta. Goleiro do São Paulo entre 1993 e 2015, Rogério se tornou o maior artilheiro da posição no futebol mundial com 131 gols marcados (61 de falta, 69 de pênalti e um com a bola rolando).

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